28
nov
11

A moeda na rua da Moeda

Na Rua da Moeda, bairro do Recife Antigo, clientes e comerciantes dizem o que acham do trabalho dos flanelinhas. Esses também pedem espaço e falam o que pensam da situação

Elisa Jacques

 Atuação de flanelinha na Rua da Moeda

Foto: Danilo Aguiar

“A imprensa só ouve o lado do proprietário do carro, nunca chega aqui pra perguntar como é o dia-a-dia da gente”. “Esses flanelinhas acham que são os donos da rua, ficam querendo nos controlar e extorquir o nosso dinheiro”. De um lado, o depoimento de um flanelinha inconformado pela forma como são representados pela imprensa para a sociedade. Do outro, um cliente indignado com a atuação de flanelinhas na Rua da Moeda, bairro do Recife Antigo, que não o deixam “estacionar em paz”, como o mesmo afirma, e que cobram um “absurdo”- até R$ 15,00 em dias de eventos – para que eles possam guardar o carro.

A cena se repete todos os dias. É por volta das 18 horas, quando acaba o horário de funcionamento da Zona Azul- espaço delimitado  pela prefeitura  e fiscalizado pela Companhia de  Trânsito e Transporte Urbano(CTTU),  para organizar as vagas de estacionamento na cidade –  que essas cenas se perpetuam e passam a fazer parte do cotidiano do bairro, já marcado por outros casos semelhantes que terminaram indo parar na delegacia. O mais recente deles é o caso do flanelinha Fabrício Souza, de 21 anos, com grande repercussão na imprensa local no mês de agosto deste mesmo ano.

Área da Zona Azul-Bairro do Recife

 Foto: Danilo Aguiar

Naquela ocasião, o flanelinha foi autuado em flagrante após ser acusado de extorquir um cliente que chegava para estacionar o carro no local, por uma quantia de R$5,00, segundo declaração da vítima. Fabrício não deu sorte e acabou sendo preso pelo cliente, um policial civil aposentando que procurava uma vaga na Rua da Moeda.

Cada lado, uma história. Cada relato, uma revelação e um esclarecimento. Quando não isso, apenas o desabafo de quem fica refém dos flanelinhas e nada pode fazer, ou o protesto desses guardadores de carro pela atenção ao descaso como são tratados pela prefeitura quanto ao local em que exercem a profissão, que outrora tinha até sindicato, mas jamais foi regulamentada. O fato é que os flanelinhas terminam cobrando  sempre um pouquinho a mais, como disseram alguns clientes durante as entrevistas, e diante da cobrança, as pessoas sentem que são feridas nos seus direitos, pelos locais serem públicos, e diante disso declaram-se reféns de um crime sem precedentes.

Durante os meses de setembro e novembro de 2011, a nossa equipe de reportagem passou a frequentar a Rua da Moeda, principalmente nos finais de semana, a fim de observar como os possíveis casos de extorsão aconteciam e, também, ouvir a opinião daqueles que trabalham como guardadores de carro.  Além dos flanelinhas, clientes que estacionavam e saíam do local, e comerciantes que trabalham na rua,  tiveram seus relatos ouvidos e registrados. E a partir de desabafos, declarações e reclamações, contamos os outros lados do que ocorre nas vagas de estacionamento da Rua da Moeda.


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