22
nov
11

O sistema dos flanelinhas no Recife

Juliette Vanessa

“Não é que a gente seja dono de rua, mas a gente respeita de uma senhoria para o outro”. É  com essa frase que o flanelinha Jeová nos lembra que entre eles se formou uma espécie de sistema, onde cada um tem sua área e briga por ela como se de fato tivesse direito a mesma indiscutivelmente. Isto se deve porque  eles lotearam cada espaço das ruas do Recife, a fim de se organizar ou estabelecer autoridades.

A relação entre os flanelinhas é de respeito à região de cada um. Funciona um sistema de cada um em sua parte ou território, aqueles que chegaram primeiro são respeitados pelos que chegaram depois. A passagem de um território a outro flanelinha é por escolha do mais antigo que elege o seu “auxiliar”. Eles também comumente trabalham em acordo com os donos dos estabelecimentos próximos, que concedem proteção ao seu trabalho em busca de fiscalização e segurança. Os flanelinhas da Rua do Paço Alfândega, assim, recebem cobranças também dos funcionários do shopping pela segurança dos carros estacionados ali na frente.

Com os flanelinhas do Recife Antigo, apesar da Zona Azul ser 1 real, eles cobram 2 reais, porque o extra é pelo serviço de terem tomado conta do carro. Dois reais é o preço mais freqüente entre os flanelinhas, exceto durante a noite e dia de eventos que acontece o que os jornais chamaram de extorsão. Isto é, uma cobrança exorbitante por parte de alguns flanelinhas que se aproveitam dessa oportunidade. Por outro lado, segundo os funcionários dos bares próximos, entre os flanelinhas mais antigos, os ditos locais, nunca foi presenciado agressão aos carros ou ameaças com os clientes. Eles têm o direito de pagar o valor que quiser ou mesmo não pagam, exceto quando é Zona Azul que tem de pagar pelo menos o valor de 1 real referente à taxa.

Segundo os flanelinhas, a importância de seu trabalho está em organizar o espaço das vagas, já que há clientes que por chegarem primeiro se acham no direito de estacionar de forma a ocupar mais de uma. Como também de garantir segurança e cuidado em como o carro é deixado.  Mesmo assim, admitem que muitos vê o seu trabalho como um absurdo. “ Eu acho que se não tivesse flanelinha teria menos vaga. (…), a outra importância é dar segurança ao cliente. É essa que eu acho a importância do flanelinha! Há muitos que acham que não, mas cada um é cada um. É uma questão de ponto de vista.“, diz Jeová.

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