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O último cadastramento de flanelinhas

No dia 29 de agosto, depois do incidente com Fabrício Barros de Souza, a delegada que o prendeu, Silvana Léllys, tomou a iniciativa de começar um cadastro dos flanelinhas do Recife Antigo.

Juliette Vanessa e Ivanilson Martins

A equipe da Delegacia do Rio Branco, por conta própria, começou a percorrer as dez vias do Recife Antigo e a Rua do Imperador (no bairro de Santo Antônio), atrás dos cerca de 500 flanelinhas que atuam na região para criar o arquivo com seus dados e fotos. “Isso vai facilitar muito na hora em que uma pessoa queira fazer uma denúncia. Ficam protegidos o motorista e o próprio flanelinha”, defendeu a delegada Silvana Léllys. Ela também acredita que se a folha da Zona Azul fosse repassada aos flanelinhas por 0,30 R$ não haveria uma cobrança exorbitante.

Antes disso, houve a chamada Operação Flanelinha, que foi a única tentativa de regularizar o trabalho dos flanelinhas, através do cadastramento. Este aconteceu em 2005, por iniciativa do então Secretário Estadual de Defesa Social, João Braga. Os flanelinhas foram inscritos pela Polícia Militar e cadastrados no Instituto Tavares Buril (ITB).

Nessa ocasião, boa parte dos guardadores de carros do Recife foram cadastrados. O objetivo não era lhes atribuir domínio às ruas, mas obrigar eles a usar crachás, facilitando a fiscalização da sociedade com o seu serviço. Os flanelinhas, por sua vez, teriam oficializada a sua região, organizando suas relações e atuações.

Os motoristas, ao entrar em contato com os flanelinhas, poderiam saber quem ele é e a quem atribuir responsabilidade caso acontecesse algo com o veículo ou qualquer espécie de extorsão e ameaça. Suas identidades e endereços estariam disponíveis no cadastro, do qual a PM teria acesso. Os flanelinhas seriam obrigados a andar com os crachás, sob pena de pegar de seis a dez meses de prisão, após uma averiguação por policiais militares.

Desde então, o cadastramento não teve continuidade, nem esclarecimento frente à população, não conseguindo legitimidade. A prefeitura do Recife, por sua vez, nega que esse cadastramento tivesse legitimidade jurídica (por ser de gestão anterior) e apenas agora há uma comissão recentemente formada pelas Secretarias de Serviços Públicos, assuntos jurídicos, planejamento, CTTU, DIRCON e outros órgãos do Governo do Estado que está elaborando um plano para regularizar a situação dos flanelinhas.

Atualmente, há um projeto na Câmara de Vereadores do Recife para cadastramento dos flanelinhas. O projeto está para ser aprovado, desde julho, na comissão de Segurança pública do Estado.

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